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BRASIL, Homem, de 26 a 35 anos



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Devaneios de uma Mente Entorpecida por Chocolate Barato e Café Descafeinado


Outro Tempo

O beijo não engravida é o que todo mundo sabe conta diz O beijo não
engravida é desmentira é não invenção é realidade Sempre me disseram
que o beijo não engravida

Eu descobri a verdade O beijo pode engravidar

Não posso dizer que me fizeram mulher Decidi ser Mulher não é algo que
se faz Eu danço Sei disso como sei ser mulher como sei engravidar com
um beijo É tudo questão de escolha É tudo questão de uso Não importa
ser boa ruim má É tudo uma dança É tudo um beijo que dizem não
engravidar

Você sabe o que ele ela quer Você sabe o que ele ela gosta A crítica
tem por obrigação equivocar-se e ainda sim evocar Você sabe o que ele
ela quer ainda sim ele ela não sabem o que posso dar e o que estou
dando posso não querer dar e ainda sim gozando

Gozando da sua cara que aplaude a minha dança

Gozando da minha dança na sua cara

Gozando com minha dança que goza da sua cara e ainda sim posso ser e
não ser o meu gozar gostar e você ainda pode gostar

Gosto de me ver com os olhos dos que gostam de ver-me Beijo embarassado

Ele ela gozam da minha dança que goza da cara deles Aplaudem o próprio
gostar Não gostam de mim e ainda assim eu gosto daqueles olhares e
ainda assim com aplausos dos que gozam com o que gostam eu sei que
posso engravidar de um beijo se assim eu gostar ou gozar

Você já se perguntou do que gosta Como gosta Se goza

Você gosta de quem te pergunta do que VOCÊ gosta

Eu não digo você porque você gosta que eu diga de você Eu digo você
porque gosto Porque posso fazer você gostar Você pode engravidar de um
beijo?

E gozar?

Presta atenção vou fazer engravidar com um beijo…



Escrito por Carlos Canhameiro às 11h08
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a volta e o nada

É praticamente tudo constantemente óbvio Repetição de acasos já conhecidos Os mesmos valores As mesmas ladainhas Os mesmos anseios As mesmas e malditas palavras Um homem que pesca Uma mulher que amamenta Um sol que se põe no mesmo horizonte em que nasce Não é só não haver nada de novo É não suportar o que há

Valei-me benedita da outrora aurora daqueles dias Valei-me augusto dos sonhos rebeldes desbarbeados esverdeados e pacíficos Valei-me valéria valeria vitória Não proíba-me o pranto Não condene em mim as lágrimas O sorriso há de vir pelo merecimento dos lábios não pela imposição da felicidade

Cala-te palavras banais Cotidiano paradisíaco parasitário para idiotas boçais  Afasta de mim esse mártir Afasta de mim esse plágio Afasta de mim esse enfado Afasta de mim esse moralismo em cápsulas Essa conduta importada Essa cultura do nada

Nasci e ganhei a morte

Sopra abstrações nesse coração de concreto Chuvisca nos olhos etílicos a ebriedade do s(c)eu azul Pulsa e pulsa de novo e quando faltar tudo o que sempre faz falta Pulsa Mata a poesia para que sejam escritos os mais deslumbrantes réquiens as mais desequilibras récitas de dor Faça do luto alegria de ver morta a poesia ainda que morta ainda POESIA

E se o sol ao tocar sua pele e dar-te o calor não te der em seguida o sentido do nada nada sofra deixe a pele tocada e mais nada

Morri e mais nada



Escrito por Carlos Canhameiro às 15h03
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esvaziar-se de vazios

é sempre assim um estado de ser estar permanecer ficar que quer falar de si mesmo explicar a si mesmo ou como é seria poderia ser acaso você eu que estivesse lá aqui Um ponto de vista único o meu ou o seu desde que seja o seu dado por mim ou o meu visto por você mas interpretado por mim Um estado de ser estar permanecer ficar em mim mesmo que seja com você

no mundo dos resultados o que vende são os processos a feitura como obra finalizada ou uma obra finalizada que só exiba o processo Inacabado com moldura e preço oficial A fraude como genialidade processual O erro como riso comercial Making Off of IDIOTS Pague o quanto puder para ver o que não sei fazer fingindo fazer não fazendo Ria aos borbotões

as redes sociais presenciais ou virtuais estão abarrotadas de idiotas

sirlene tem uma opinião sobre tudo chora com o noticiário diário inconformada com a superlotação das cadeias dos ônibus das avenidas das baleias encalhadas do circo de pulgas desadestradas maltratadas maltrapilhas Sorri de piada ruim e defende humor de quinta sirlene passeia de carro e acha romântico flores e telemensagem sirlene nunca disse eu te amo porque deus castiga

francisco gosta de gibi da turma da mônica casado ainda mantém o hábito da punheta desde que a esposa esteja viajando ou na casa dos pais Segue os padrões daqueles que juram não seguir padrões Se excita escondido com peitorais masculinos adornados com pêlos  mas mantém aparados os seus por gosto da esposa francisco queria ter sido militar mas nunca se alistou

a autobiografia da minha personagem favorita foi escrita por Chapeuzinho Vermelho

senhoras e senhores não teremos recados por hoje não teremos nenhuma mensagem de amor esperança e gratidão não publicaremos qualquer menção a deus ou uma frase encorajadora de Buda não diremos como manter sua vida saudável e muito menos como conseguir mais e melhores orgasmos não aceitaremos donativos e não abriremos para comentários não deixaremos aquele abraço e nem seremos mal educados senhoras e senhores hoje não curtiremos sua frivolidade não compartilharemos sua revolta desnecessária não oraremos pelos derrotados e nem mataremos os estrangeiros não esperaremos Godot e não retardaremos o processo senhoras e senhores por hoje não [é só isso]

teu beijo não me salva / me resgata da perdição



Escrito por Carlos Canhameiro às 01h44
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Atualmente não se podem escrever mais fábulas

Postura correta Não seja silencioso Indigne-se Pouco importa a forma Foda-se o conteúdo Lateje a alma Grite É INJUSTO Desligue a máquina e coma O mundo um fast food Diga aos outros como tudo pode estar errado Como os pobres estão FUDIDOS seja qual for o lado Vista NIKE e corra para o protesto ARMADO Desligue a máquina e beba uma cerveja gelada Arrote sua hipocrisia na cara dos mandatários Leia o mesmo livro de cabeceira dos OTÁRIOS Mude o mundo com um solitário orgasmo

Nossa máquina indestrutível Ausência de angústias metafísicas Seja por questões de escola Seja por escolhas pessoais Nossas convicções expostas sem qualquer outro ponto de vista INDIGNE-SE ou cale-se ou digite

Antes reinasse o CAOS a essa pasmaceira diária maquiada de democracia ditatorial

Discursos de aluguel Casas de aluguel O direito à propriedade seja MARGINAL exposto em redes sociais Mais um capa de jornal que não embrulha o peixe do dia seguinte O jornal de hoje embrulha o corpo do mendigo de ontem/hoje/amanhã

Seja milionário magnata trilhardário No jogo da vida pague com cartão Eduque seus filhos a desafiarem os professores São gênios sem educação Pague a vista ou em dez vezes no cartão Seu sucesso depende de milhares de pobres mal pagos

Revolte-se num blog Palavra de ordem num twitter Sua mãe irá curtir Seu pai compartilhar Celebridade instantânea ganha uma viagem para o Canadá

Escolha sua droga Pobres Políticos Direitos Civis Sexo sem camisinha Marx ou a pior música do dia É gol do Corinthians É festa na Augusta às quintas Fume seu cigarro cuja bituca tem destino certo no asfalto ao lado da garrafa vazia Seu artista favorito fez um filme medíocre Stand up Comedy como punição A novela anda sem nenhuma imaginação

INDIGNE-SE desligue a máquina



Escrito por Carlos Canhameiro às 19h29
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Não foi possível completar esse título

Não reconheço novos amigos Meu mundo virou frases de efeito Axiomas contraditórios Pequenas ideologias expostas em videoclipes Um eco em silêncio

Uma repetição da nova fórmula da nova tendência da neo-pós-retaguarda-clássica

Uma poesia CTRL + C / CTRL + V

Abri a porta você não entrou Dei-te a mão você sorriu Ofereci chá turco você abriu uma cerveja 10encontros depois nunca mais chegamos no horário

Quando seus sonhos se realizam é porque ao acordar você não se lembra do seus sonhos

No calçadão de qualquer cidade do interior Centenas de dezenas de sacolas carregadas por centenas de dezenas de pessoas ávidas por ter o que colocar ou usar o que está dentro das centenas de dezenas de sacolas E ainda buscamos sentido

Opiniões tão distantes sobre um mesmo evento que é preciso inventar uma neo-pós-dialética contemporânea

Ver o mundo não combina com entender o mundo

A revolução pela inteligência ou viva o status quo

Uma arma de fogo é o argumento definitivo de que o homem não acredita no homem

Tenho receio de dormir de perder tempo de não ser produtivo de descansar a alma de perder a calma de acordar tarde de beber cerveja de ganhar peso de tomar remédio de pedir ajuda ao policial de andar sozinho de comprar pela internet de beber café com açúcar de sexo com camisinha de beijo sem língua de padrões de educação artística de discursos feitos palavras benditas promessas repentinas e criança vestida como adulto

Qualquer ideologia perverte a liberdade

Toda liberdade é ideológica

Cale minha boca com um beijo

 



Escrito por Carlos Canhameiro às 03h38
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Segundos

Não me veio a inspiração então acreditei no amor como construção Planta Desenhos Esquadros Materiais Alicerces Cálculos Escavações Previsões Cronogramas Orçamentos e durante a engenharia do amor me apaixonei e o muro que era plano ficou plano

Em minha pele beijada há mais amor do que em sua rima quadrada

Fascínio por um tema Por uma centelha de esperança Por uma métrica simplificadora Simplista Por um

Se é possível então todos podem

Outro dia chorei por um amor que descobri quando havia acabado Ao subir dos letreiros Como se ao chupar um picolé descontraidamente no calçadão estivesse escrito no palito acabas de lamber todo o seu amor

Outro dia o amor chorado ou a razão pelo choro descoberto reapareceu como visita inesperada Amostra grátis de jornal que é entregue em seu endereço sem consulta e ainda assim você lê durante o café da manhã Como desconhecido não se disse amado ou sem saber do amor descoberto cobriu-se de um presente ascético e bebemos suco de laranja enquanto discutíamos as tragédias diárias

O mundo dá voltas mas não oferece retorno

Censura disfarçada de  bom senso / Bom senso mascarado de problema seu

Ao dizer que a amava não estava rogando uma praga

A literatura não pode salvar nosso amor Mas pode libertá-lo do ódio

Samantha tinha dois filhos um gato uma cozinha equipada um carro na garagem um amigo de infância um trabalho meio período e nenhum orgasmo Sorria feliz depois de engolir a porra do marido

Sua conduta está em exposição nas vitrines da Tok & Stock

Minhas palavras de ordem nunca mancharam uma folha de papel

Valéria era solteira lasciva sensual e destemida Nenhuma linha foi escrita sobre ela mesmo depois da vida livre que viveu

Para ser alguém na vida é preciso que muitos abram mão de suas próprias vidas Quem consegue viver com as mãos fechadas

Na palma da mão um coração

 



Escrito por Carlos Canhameiro às 01h38
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O mundo não precisa de novos textos

Quando eu era cristão já não acreditava em deus

Quando eu era ateu já não acreditava em mim

Quando eu era já não acreditava

Em busca de novos fascismos: proibir a escrita de novos livros proibir a regravação de velhas músicas proibir comédias românticas proibir remontar clássicos proibir teorias marxistas proibir teorias fascistas proibir seis novelas por dia proibir a entrega dos jornais impressos proibir especialistas em assuntos subjetivos proibir evangélicos de opinar sobre política pública proibir blogs e twitters e facebooks e youtubes

Só para o mundo ter com o que se preocupar de mentira

Os poetas são felizardos porque mesmo a dor a tristeza o horror e a solidão eles conseguem transformar em amor (nem que seja pelas palavras)

É possível não extrair uma única emoção verdadeira durante toda uma vida e ainda sim crer no amor e no gerúndio

Sou acusado de não ser quem aparento ser Os acusadores usam máscaras

Fui molestado quando criança com a conivência dos meus pais Eles me deixavam assistir ao Xou da Xuxa

Tenho medo de falar dos outros No mundo tão individual e com características tão perfiladas parece mais sensato a autopromoção mesmo que seja sobre a subjetividade emocional Meu heterônimo não me conhece mas sei onde ele passou as últimas férias

Vovó não era sábia e a idade nada lhe trouxe de especial exceto o conhecimento na pele do tempo decorrido Porém todas as vezes que digo alguma de suas frases o entorno ouve com certa reverência A sabedoria envelhece como os vinhos Algumas dão bons vinagres

Sinto uma falta danada da minha mãe Não sei como seria se acaso estivesse viva Por puro egoísmo às vezes quero alguém que me ame incondicionalmente e que enxugue minhas lágrimas quando não quero chorar Minha mãe faria isso por puro egoísmo materno

Quando eu não escrevia era mais sincero



Escrito por Carlos Canhameiro às 01h17
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De olhos fechados não reflito

Há quem diga que existem inúmeras formas de dormir

Há quem acredite em tudo que há quem diga

Aquele do outro lado do espelho começa a desconfiar de que não sou sua exata imagem Inconformado desiste da árdua e estúpida tarefa de ser a cópia de alguém e passa a viver sua própria vida Eu desreflexado perco-me no intervalo entre existir e espelhar Ninguém a minha volta percebe qualquer alteração

Meu reflexo ou o alguém cujo reflexo sou eu caminha à vontade nas paulistanas avenidas carregando a estúpida crença de que só por saber-se livre de fato se é

Ainda não sei se o invejo ou se desisto de criá-lo ou se nunca mais reflito

Enquanto ele caminha Meu espelho tem escrito em batom vermelho um último recado Te adoro e não sei quando volto

E na ausência do reflexo-eu ou o eu cujo reflexo sou Perco-me nas antigas e permanentes idéias do fim do começo do começo sem fim do fim sem qualquer começo

Na esperança inconveniente ao acreditar que por saber a gênese o apocalipse está garantido ou poderá ser evitado Ou o apocalipse revelado a gênese será apenas um retrocesso científico

Aquele meu eu-reflexo ou vice-versa já tem andado cansado da vida É o que acontece aos espíritos sem reflexão

Aguardo-o sem maiores ansiedades Escrevi um bilhete de boas vindas e colei no espelho Senti sua falta Por estranho que pareça você me completa Apague a luz



Escrito por Carlos Canhameiro às 03h16
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Marlise

Bonito

Como a palavra Como o Rodrigo Como meu desejo de um texto bonito

Um acúmulo de verbos pontos substantivos Um texto do texto que se pretendia bonito Uma meta da metalinguagem Clichê como todos Como teu texto pedido Como o Rodrigo Bonito

Naquilo que disseram ser minh’alma Ela se diz também aquilo que lê Como espelho cujo reflexo se constrói aos poucos Se descobre aos poucos Se embeleza aos poucos Metamorfose cujas palavras de um texto bonito atuam como tintas como peças de uma insensato quebra-cabeça Como o Rodrigo Como o desconhecido

É a metafísica a serviço do meu desejo de um texto bonito

São as palavras parindo meu universo finito

São as conexões que me desenclausuram do tédio reprimido

É para além do ser que clamo por um texto bonito

É para além do ter que desejo Rodrigo

Pode ser que seja tudo repetido Pode ser que estejamos velhos antes mesmos de nascidos Pode ser que não haja nada de novo Nem sob o sol tampouco sobre a lua Pode ser que eu escreva teu texto bonito Pode ser que tudo pode ser De todas as filosofias psicologias antropologias e matemáticas aplicadas Quero mesmo é teu sonho Rodrigo

É o teu toque Rodrigo que a cada segundo me faz querer um texto bonito

O meu gozo não pode ser o teu ponto final



Escrito por Carlos Canhameiro às 01h31
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sobre deus o Amor e outras simplicidades

Tenho pensado que o homem inventou deus para desfrutar do prazer de falar de algo/alguém sem fim sem tamanho sem cor sem começo Criar Criar Criar Não é o átomo Não é o próton Não é a membrana O músculo A poeira É tudo isso e muito mais Junto ou separado

Tenho pensado que o homem no afã de falar de deus sucumbiu num axioma perverso deus é Amor E depois deu-se conta o homem que o amor era muito muito muito maior que deus A estrutura aprisionante de tudo o que deus é ou era não aceitaria ser ele deus o amor Deus não poderia ser maior do que o amor deus não poderia explicar-se no amor

Tenho pensado que o homem reinventou deus e seu axioma O amor é deus Retomando ou recriando o prazer de desfrutar de algo sem tamanho e o tudo mais O amor é então o deus e todas as outras coisas lugares pessoas filosofias mistérios e ciências que o homem quiser Como se tudo se encerrasse no amor e o amor em nada

Tenho pensado que o homem pode ser Ateu e desse modo negar deus Se não nega não se importa Se não se importa ignora Se não ignora simplesmente não sabe Mas o homem não inventou ainda essa saída para o amor

Tenho pensado que esse jogo é infinito

Laboração da etérea palavra Que calcifica o choro Calcina o riso Vivifica a mágoa Alivia o tímido Resplandece a fé Desaconchega a dor Desassossega a(o) Pessoa Redime o gozo Aproxima a morte Consola o ébrio Desmistifica a paixão

Como o soldado que fala da arma do exercício da disciplina da estratégia da guerra

Como o alfaiate que fala da linha agulha tecido molde e costura

Eles todos falam

Tenho pensado que por isso escrevo

Tenho pensado logo não tenho amado

 



Escrito por Carlos Canhameiro às 01h24
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seu cheiro é seu desodorante

São tantas promessas de amor que creio apenas que o amor é feito só de promessas Uma matéria em suspensão A cada promessa a potência amorosa se dissipa no ar em busca de um peito que o acolha Um olho que o chore Uma boca que o beije Um encontro que o desminta Um adeus que o restitua à nova/velha promessa

Na dúvida lancinante sobre o papel do apego no amor Com desapego o amor se mistura e aquilo que era gozo pode não passar de engodo

Te vi e nos vimos e o silêncio das nossas palavras vazias foi enlouquecedoramente uma prova da nossa frugal tentativa de dar ao amor mais do que palavras vazias

Estava frio Nos olhos o resto da noite que acabara de começar Nos pés o futuro passo Andar na certeza de que ir ou voltar não depende das pernas A mente fora do compasso hoje ontem e amanhã história memória esquecimento esperança e frio distanciamento a ocupar todos os espaços em tempos intermitentes a lutar por cada segundo de atenção O frio que castiga a pele e não deixa incólume o coração quando se apodera do amor faz do desprezo brinquedo perto do estrago sem remorso ou contrição

A balança que pesa o amor contrapesa o desprezo

Faria da nossa história um romance Mas prefiro fazer do nosso romance um happening

No museu dos corações partidos a mesma exposição sempre sangue lágrimas e uma esperança sem data de validade

Existem infinitas declarações de amor Continuo com a mesma ainda a ser inventada

Não rejeite meu amor Não deboche da minha dor Dá-me um beijo e foda-se



Escrito por Carlos Canhameiro às 00h34
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[título de uma música do Beatles em Mandarim]

São tantas idéias perdidas Um ideiocídio é possível inventar A mesma necessidade de escrever dizer explicar

Dependente Viciado Adicto das idéias

Música para ninar Cadáver

Um grupo de apoio SA Suicidas Anônimos com nome RG Endereço e Motivos muito óbvios para morrer

A religião suicida O gozo de querer morrer A traição do devoto ao morrer Encerrar o mundo das idéias Entregar-se demais a morte

Uma multidão suicida que não se mata incentiva a morte Desanima a vida Onde ninguém morre mas tampouco vive Vive mas não como dantes Não como conhecíamos Homens cujo fiapo que lhes sustenta a vida é o prazer de cultivarem a morte A própria

Mórbido – Mordido É tão pequena a diferença para tamanha diferença

db

Estamos sedentos das mesmas sedes de outrora A água que nos oferecem hoje não parece feita para a sede de ontem Bebemos mas não estamos com o paladar pronto para elas As águas de abril maio júpiter ou as águas vermelhas cítricas nunca mais sensabor

Velhas formas como os velhos se não tiveram uma vida saudável definham e exigem trabalho dos novos para continuarem existindo ainda como velhas formas

Não é a manutenção do CAOS é a ostentação do HORROR

Mude de canal ou escolha outra idéia 



Escrito por Carlos Canhameiro às 01h23
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Parece existir o jeito certo para fazer a coisa errada

metade dos meus sonhos nunca sonhei metade nunca será realidade já outra metade sonhada metade dela virou realidade quando disse EU TE AMO

Não tenho outro futuro senão esses dias passados Essa certeza pequena de que não vale a pena Mesmo a alma grande Mesmo o corpo cansado Mesmo com tudo pronto Mesmo com a louça lavada A força que me tira da cama é a mesma que nela me nina antes do sol nascer

Quem diz EU TE AMO a cada segundo não ama Fala

Quem escreve EU TE AMO a todo instante não ama Propagandeia

EU TE AMO não é uma desculpa Não é um argumento Não é um fardo Não é uma promessa tampouco uma ameaça EU TE AMO não é nada São palavras Não é o EU TE AMO de verdade

Na receita entre parênteses diz ser possível substituir um ingrediente por outro exemplo farinha de trigo por farinha de milho ou farinha de arroz Ainda na espera da receita para corações partidos e a substituição de um amor errado por uma alegria passageira ou uma trepada sem culpa

Calei quando pensei ser melhor do que falar Falei quando  você decidiu calar O beijo era a única gramática admitida por isso falhamos na análise sintática

Sei que nunca seríamos felizes Tampouco seríamos triste para sempre

Guardo minhas longas histórias para embalar suas noites insones Por hora você dorme profundamente

 



Escrito por Carlos Canhameiro às 23h48
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Enquadrado

Ontem deixei de falar o que pensava sobre um assunto nada relevante para a vida dos debatedores Se opinasse geraria discórdia que geraria animosidades que geraria novas argumentações sobre um assunto nada relevante e então tudo tomaria proporções pessoais ofensivas defensivas sofismas seriam ditos como palavra de ordem Palavras de ordem calariam as melhores argumentações sobre o tal assunto nada relevante para a vida dos demais envolvidos e velhas feridas seriam exposta e novas amarguras seriam fecundadas e o ótimo café servido em xícaras vagabundas esfriaria em razão dos ânimos enfurecidos e uma grande parcela do tempo se passaria em troca de uma discussão inútil exceto para revelar toda nossa inútil existência e ainda assim preciosa a ponto de tornar um assunto nada relevante caso de vida e morte paixões e temores beirando o absoluto Então silenciei e por não emitir opinião fui rotulado de alienado desligado passivo e conformista

Mamãe não chorava com o drama das novelas mas não podia ver uma de suas rosas desfalecer sem deixar os olhos boiarem em tantas lágrimas ainda por escorrer Dizia sempre com voz embargada são as pétalas filhinho são as rugas

Transamos quase em silêncio Gozamos quase em segredo Dormimos quase em seguida e sonhamos que conversávamos sobre nosso amor

Em minhas veias correm palavras Meu coração é sempre um novo parágrafo Minha respiração é sentença escrita Minha boca saliva pontuação Na minha língua só resta o silêncio

Nossa amor virou literatura e como era foi um fracasso de vendas

Desaprendi a amar e como desculpa digo que isso me fez enfim descobrir o amor

Aceito quase todas as traições não porque sou pacífico consciente desapegado ou tranqüilo Aceito porque aceito Porque sentir-se traído é dar poder ao traidor Aceito mesmo quase todas Exceto a traição dos seus lábios

Outro dia prometíamos irresponsavelmente um futuro juntos um amor com filhos um trabalho com frutos uma casa com horta e cadeira de balanço um sexo diário mesmo só aos domingos uma conversa de madrugada mesmo que um estivesse dormindo Outro dia fomos responsáveis e não falamos mais disso e o futuro agiu como lhe é de direito levou consigo as promessas para outros irresponsáveis



Escrito por Carlos Canhameiro às 00h50
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Tenho em mim o mundo inteiro e não é nada

Todas as vidas não completam a minha porque a minha vida não completa a de ninguém Malabarismos de semáforo com angustias corriqueiras Falei de você ao beber moderadamente As palavras acompanharam os vinhos secas verdes ébrias fabricadas descartáveis e retornáveis

Todas as poses as sensualidades a impressionante espontaneidade Agora catalogadas Exibidas a exaustão Em quem podemos confiar A filosofia no avesso das afirmações concretas na contradição das superadas tradições Anti-relativismo com o vento a soprar em minha fenestra Anti-anti-pós-estruturalismo Enredos conhecidos e personagens arquestereotipados Não saber ser estar permanecer ficar segundos com uma idéia fixa mesmo que boba mesmo que vazia

Uma canção composta esquecida cantarolada ao descer os degraus do santo calvário Um alívio não imediato Precário Sentido inversamente proporcional ao apego Desejo que se esvai com o sol a lua a nuvem a neve a brisa a moça de saia o homem sem camisa Futilidades travestidas de erudição Valores negociados em não-presta-ação

Depois do sono não há de haver o acordar

Um jogo por inventar Árbitro Dados Facas Bolas Campos Linhas Regras a traçar Inventemos Alguém há sempre de vencer Uma estátua Um documentário Uma tese dissertação artigo Um método Um exemplo Um viaduto Um busto pedaço de bronze Orgulho dos pais Testemunho dos amigos Esperanças de um existir depois do deixar de existir

Você disse eu-te-amo em seguida comprou um sorvete de limão cruzou a rua sem vexame ou distração beijou seu homem na boca e piscou em minha direção Não sofri com a cena Não duvidei do eu-te-amo Não menosprezei o seu homem Não invejei o beijo Confesso impressionou-me a destreza da piscadela e irritou-me profundamente a conta da sorveteria

A sofrer uma maldição ver um vestido na vitrine e imaginá-lo a cobrir teu corpo

Ainda não decidi se compro todos ou desisto de amar um manequim

 



Escrito por Carlos Canhameiro às 22h43
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