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Devaneios de uma Mente Entorpecida por Chocolate Barato e Café Descafeinado


Máquina de lavar roupas

Priscilla era assim: calma. Singela. Sorria tímida. Quase nunca falava. Falava, mas quase nunca. Não tinha grandes aspirações. Não se contaminava com novelas. Tinha seios médios. Bonitos. Poucas sardas que ressaltavam a pequena e deliciosa curva entre eles. Usava decote. Não por vaidade: propaganda mesmo. Trajava vestidos, quase sempre. Exceto quando dormia. Exceto quando fodia.

Priscilla era assim: fodia sempre. Adorava um toque sem propósito. Um roçar de peles desconhecidas. Uma excitação nos olhos. Alguém que acendesse seu cigarro que ela nunca fumava. Era o gesto. O homem com fogo. O cigarro nos lábios. E depois, em sua cama, preferia sugar a cabeça de um pênis do que a ponta de um cigarro. Gostava do esperma na língua do que a fumaça nos pulmões. Mas isso, o homem fogo só descobriria se tivesse fogo para acender o cigarro de Priscilla que insistia em não fumar.

Priscilla era assim: um pouco puta. Devassa. Na medida. Não narrava a foda, mas às vezes exagerava na gemida. Tirava partido dos seios. Deixava morder a bunda. Não arranhava as costas mas se espremia com força. Não tinha posição preferida. Exigia o gozo: de ambos. Exigia um minuto sobre o corpo dele. Cansada. Precisava do cheiro do suor. Braços envoltos. Gozava com beijos leves na coxa.

Priscilla era assim: não fazia anal. Exceto por vaidade. Não dizia eu te amo. Exceto por necessidade. Não dormia fora. Exceto por falta de grana. Não deixava gozar dentro. Exceto casos especiais. Homem demais. Gostoso demais. Que fode demais. Que sabe o que faz. Então o sêmem ficaria guardado: um pouco por pouco tempo. Não se arrependia. E mesmo uma transa sem graça era compensada com uma taça de vinho. Fosse o homem desajeitado, de menos, Priscilla acendia um cigarro.

Priscilla era assim: um dia casada. Noutro dia, mãe! Noutro dia trepava na escada do prédio. Noutro dia dava banho no rebento. Noutro dia gozava junto com o marido. Noutro dia chupava gostoso o pau do vizinho. Não tinha pruridos. Priscilla não tinha regras. Fazia compras no supermercado e assistia pecinhas de teatro com os dois filhos. Se visse um ator pelado, masturbava-se tranqüila no sanitário do escritório. Transou com o chefe, o encarregado e com o amigo do marido. Juntos. Priscilla não era dada a posses.

Priscilla era assim: adorava ver a máquina de lavar roupas funcionando.



Escrito por Carlos Canhameiro às 15h15
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