Coração Vaga Mundo Tenho entre meus braços todos os corações do mundo aperto-os contra meu peito fraco jorro sangue entre minhas pernas menstruo as dores sabores odores Meu rosto pálido desanda trágico os corações sangrados são blush em minhas bochechas sardentas lágrimas venosas escorrem dos meus olhos azuis Lanço-me no espaço entre a janela e o chão os corações palpitam descompassados altíssima pulsação flutuamos na queda explodimos no chão Há sangue nas paredes nos carros na calçada enxurrada dos corações do mundo esvaindo-se em bueiros levanto vermelha piso vermelho artéria inerte aMorta Ainda sinto nos braços o pulsar do mundo meu peito vermelho arfa sem desespero meu rosto manchado não sabe expressar mais nada Meus olhos vermelhos Não carrego no peito nenhum coração do mundo Meu coração vaga-mudo Minhas pegadas vermelhas dirão onde deixei de estar
Escrito por Carlos Canhameiro às 00h01
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