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Devaneios de uma Mente Entorpecida por Chocolate Barato e Café Descafeinado


Ordinário

Ele escondeu até o último momento O restaurante era rústico a comida simples temperada o vinho me cheirava extravagância Pensei que mal há alguma pequena extravagância na vida Ele conversou sorridente como sempre e não fosse o leve suor em sua testa em nada estava diferente dos nossos sempre jantares mensais em restaurantes rústicos com comidas simples Pedimos sobremesa e as extravagâncias começavam a ultrapassar o limite de “algumas” então toneladas de pensamentos desabaram sobre mim e eu sabia Ele iria me pedir em casamento

Ela sorriu até quase o último momento O restaurante era aqueles que fazem comida caseira Bem é o que sempre está escrito nas placas de entrada ou no cardápio Para mim sempre tem o mesmo gosto Pedi vinho nunca bebo acho coisa de afrescalhado Tem lá seu gosto de suco de uva com cachaça mas não é uma boa cerveja Ela conversou como sempre e não fosse o maldito suor na minha cara acredito que estava indo bem Para não chamar tanta atenção pedi sobremesa que não sabia pronunciar o nome E então ela parou de sorrir e creio que entendeu tudo

No convento fui uma freira feliz Abdiquei do sexo mas não abri mão da vaidade Alguns padres me possuíram em nome de deus Jesus e da virgem Maria Tudo para passar o tédio de algumas noites frias Eram péssimos amantes e desconfiei até o fim da minha vida que era por isso que se tornaram padres Pouco sabiam beijar Minhas irmãs na fé e na eucaristia não falavam sobre isso então falávamos sobre outras coisas Algumas vezes bebíamos vinho e tomávamos banho juntas Mas isso acontecia uma vez por ano e nada mais Nunca rezei

Na boléia de um caminhão não tem nada mais o que fazer além de ouvir música remoer o futuro e tocar adiante É lento por vezes rápido poucas outras vezes Calor frio vento conversa fiada pelo rádio e manter a música tocando De vez em quando uma biscate de posto de gasolina um traveco de acostamento um chapa debaixo de viaduto e dá-lhe rádio ligado e som alto Nosso Senhor que me perdoe mas queria ver Ele mandar o filho ser caminhoneiro Na cruz se passa só um dia No caminhão a vida inteira



Escrito por Carlos Canhameiro às 01h40
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