Meu Perfil
BRASIL, Homem, de 26 a 35 anos



Histórico


Categorias
Todas as mensagens
 Avaliação
 Devaneios de Última Hora


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 II d.pedro II
 A Última Quimera
 CHALAÇA a peça
 Minhas Crônicas
 Blog do Juca
 Malvados
 Cotidiano de Luis Canhameiro


 
Devaneios de uma Mente Entorpecida por Chocolate Barato e Café Descafeinado


Histórias com Fim

Mônica.

Aos 17 perdeu a virgindade.

Nádia.

Casou-se.

Simone.

Bebia.

Tereza.

Com doze anos beijou um primo na boca.

Sebastiana.

Aos 15 virou prostituta.

Rômulo era tímido silencioso introspectivo pouco falava filho único pai falecido quando ainda era muito jovem mãe trabalhadeira ausente persistente morreu de cirrose aos 47 anos quando Rômulo já era mocinho e apresentava pêlos nas axilas estudou como sempre disseram que deveria estudar trabalhou como sempre disseram que deveria trabalhar para formar o caráter enobrecer a alma pagar as contas da casa e garantir família era devoto de santa edwiges por ser impossível acreditar que haveria uma outra saída uma outra vida melhor mais cômoda e feliz

Eu sempre quero matar minhas personagens. Por capricho quase divino. Um tesão no cérebro de ver uma palavra sofrer. Rômulo sangra. Rômulo chora. Rômulo não vê sentido na trajetória, no caminho, nas escolhas, nas margens e nas marginais. É tão deliciosamente sublime o poder prestidigitador de acabar com a vida de Rômulo. Minha personagem medíocre, vazia, incapaz de mudar, que pensa e não age que age sem pensar que age como pensa ou Ação. Matar.

Rômulo não tem válvula de escape vai do trabalho para casa da casa para o trabalho e segue ou não segue esses desígnios invisíveis perturbadores Ah Rômulo, quanta impossibilidade nesses dias possíveis. Escreva Rômulo. Reinvente seus mundos. Explique-os. Explique-se. Vai Rômulo, não deixe abater-se. Alguém te dará a mão ou pelo menos um lápis uma folha de papel Rômulo não tem vã esperança o último egresso da caixa de pandora não afeta o mundo cubicular de Rômulo.

E não importa o quanto de Rômulo há naquele que escreve. Importa que Rômulo pode ser morto no momento que aquele escreve. Não há segredo a ser revelado. Rômulo queria reinventar os clássicos deixar de ler estudar beber masturbar fumar cheirar nadar gozar Neste mundo de Rômulo o sol nasce duas vezes. Mas ele vive só uma.

Rômulo morreu aos 45 cinco anos de câncer no pâncreas.

 



Escrito por Carlos Canhameiro às 21h49
[] [envie esta mensagem] [ ]




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]