A imortalidade é para os mortos Eu só queria falar sobre o Tenório que teve a infelicidade de ter um Tataravô Tenório e um Bisavô Tenório e um Avô Tenório e um pai Teodoro que rebelde deu ao filho o nome que não recebera do pai Eu só queria contar histórias e não perceber que todas as que imagino já foram escritas, ditas, encenadas, filmadas, desenhadas, cantadas, tocadas e hoje estão até em versões mínimas de 140 toques Eu queria saber usar os pontos finais as vírgulas os acentos graves e agudos conhecer as pessoas seja no singular seja no plural seja a primeira a segunda e até me dar bem com a terceira Eu queria ter casado ter filhos alugar um gato viajar de fusca plantar um pé de jaca no vaso da varanda do apartamento da cidade do interior de minas Eu só queria entender Eu só queria que minha cabeça produzisse um sentido menos caótico Eu só queria que o caos não reinasse Eu só queria ser sem deixar de ser É por demais difícil de aceitar o sol que em pouco tempo insistirá em brilhar seja janela adentro seja por trás da tempestade seja a noite em outra parte seja na face da lua na parte da bunda desnuda em uma praia qualquer Empatia por minha própria projeção de mim mesmo a caminho do nada do antes do depois do agora imperceptível Um mundo cheio de bobagens Uma desordem natural e desnecessária Imagens Imagens Imagens Eu só queria não temer os sonhos.
Escrito por Carlos Canhameiro às 02h33
[]
[envie esta mensagem]
[ link ]
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|